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O workshop Colorista sobre a perspectiva do olhar de um dos participantes da atividade

Pedro Krull – enviado especial

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Foto: Paulo Accioly

A figura projetada na parede, no segundo andar da Casa de Aposentadoria, controlava o contraste e saturação com um simples movimento de mão. Exemplificava, em perfeito inglês, como transformar o dia em noite com pequenos ajustes: “People, don’t be afraid to crush your blacks”.

Na sala, curiosamente lotada para um assunto tão específico, havia um misto de atenção ao vídeo e surpresa pela vasta quantidade de assuntos. A figura agora era substituída por outro slide e, logo em seguida o condutor original do workshop, Marcelo Cosme, iria explicar a verdadeira praticidade das ferramentas apresentadas, ou seja, o que realmente significa colorir um projeto audiovisual.

Ainda desconhecido pelo grande público que aprecia a arte, o colorista é uma figura peculiar do processo de realizar um curta-metragem ou longa. E o verdadeiro trabalho é feito com delicadeza e sensatez, com o objetivo de não ser notado, por cima de um bom plano de produção e uma equipe competente o bastante para traçá-lo e executá-lo.

Quasímodo da finalização, trancado em sua torre de pós-produção, o colorista tem a palavra final no visual do filme e, consequentemente, uma responsabilidade gigante no resultado. Então a quantidade de informação e nuances para entender plenamente a técnica é, como você pode imaginar, inimaginável.

Em entrevista, após o workshop, Marcelo Cosme confessa: “[É a primeira vez] Que apresento nesse formato […] o que normalmente faço é uma rápida introdução e depois sento com todos em uma ilha [de coloração], mas a ideia desse workshop foi plantar uma semente de curiosidade”. E continua: “Foi o que eu falei no final, não espero que todo mundo assista uma aula e acabe virando colorista, mas se você é um diretor ou um diretor de arte e entende o processo de colorização pode trabalhar com uma folga maior”.

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Foto: Paulo Accioly

Formado em Design de Comunicação e Cinema, Marcelo Cosme, trabalhou durante 12 anos como diretor de arte. Além de editor, diretor de fotografia e professor de pós-produção, hoje é membro da Associação Brasileira de Cinematografia (ABC) como colorista.

Passando pela surpreendente preocupação na indústria de filmes adultos com o color grading até o processo de emular um look kodachrome (marca de filme produzido comercialmente pela Kodak a partir de 1935), o assunto eventualmente chegou à qualidade dos curtas no Brasil: “Eu vi alguns sofríveis […] acho assim, algumas faculdades de cinema aqui do Brasil são muito fracas e existe esse entendimento de fazer de qualquer jeito, só por fazer o que prejudica muito”.

E, em seguida, acrescentou: “Mas assim como eu vejo o que tem que melhorar, vejo o Pedro Tejada (diretor de fotografia, ministrou a Oficina de Cinema 360) expandindo o seu trabalho como fotógrafo. Quer fazer um curta sobre algum assunto? Certo, mas lembre-se que você está fazendo um audiovisual. Faz bem feito, faz pensado, seja chato, que assim o seu trabalho vai ficar muito melhor”.

Na saída do workshop, três jovens discutiam a ideia de fazer um curta sobre Solução para os problemas da educação brasileira. Um deles, o mais novo, perguntou qual iria ser a paleta de cores. Agora é só esperar chover.

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